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Laranja, uma das frutas mais conhecidas
De todas as árvores frutíferas, uma das mais conhecidas, cultivadas e
estudadas em todo o mundo é a laranjeira. Como todas as plantas cítricas, a
laranjeira é nativa da Ásia. Alguns historiadores afirmam que os cítricos
teriam surgido no leste asiático, nas regiões que incluem hoje Índia, China,
Butão, Birmânia e Malásia, países de clima subtropical úmido.
A
trajetória da laranja pelo mundo é conhecida apenas de uma forma aproximada.
Segundo pesquisadores, ela foi levada da Ásia para o norte da África e de lá
para o sul da Europa, onde teria chegado na Idade Média. Da Europa foi
trazida para as Américas na época dos descobrimentos, por volta de 1500.
A laranja espalhou-se pelo mundo sofrendo mutações e dando origem a
novas variedades. Durante a maior parte desse período, a citricultura ficou
entregue a sua própria sorte - o cultivo de sementes modificava
aleatoriamente o sabor, aroma, a cor e o tamanho dos frutos.
As
pesquisas e experimentos para aprimorar variedades de laranja começaram a
ser desenvolvidas no século XIX na Europa, depois da disseminação das
teorias de Mendel e Darwin. Já antes do século XX, os Estados Unidos
passaram a liderar os esforços técnicos nessa área. Todos os estudos sempre
tiveram voltados para o melhoramento do aspecto, tamanho e sabor dos frutos,
como também o aprimoramento genético para a obtenção de árvores mais
resistentes às doenças e variações climáticas.
Atualmente, os pomares
mais produtivos, resultantes de uma citricultura estruturada, estão nas
regiões de clima tropical e sub-tropical, destacando-se o Brasil, Estados
Unidos, México, China e África do Sul.
 O cultivo da laranjeira está
disseminado por mais de 60 países e, na produção mundial de cítricos, a
laranja participa com 69%. No de processados de citros o Brasil destaca-se
como maior exportador mundial de suco concentrado suprindo 80% da demanda
mundial.
No Brasil a citricultura é significativa para os estados de
São Paulo (80% da oferta nacional), Sergipe (4,8%), Bahia (3,8%) e Minas
Gerais (3,8%).
Como consumir
A
laranja é uma fruta excelente devido à sua riqueza em Vitamina C, essencial
para o sistema imunológico e como antioxidante, e fibras, que auxiliam na
digestão e na saúde do coração. Contém também potássio, que regula a pressão
arterial, e outros minerais importantes, além de flavonoides que combatem os
radicais livres, contribuindo para a prevenção de doenças e retardando o
envelhecimento.
A melhor forma de
consumir a laranja é in natura, consumindo a fruta inteira para aproveitar
as fibras. É possível tomar um copo de suco de laranja fresco, que
também trará muitos benefícios, mas a fruta completa contém mais nutrientes
e fibras. É mais benéfico comer a laranja inteira, com bagaço, para
aproveitar as fibras que retardam a absorção do açúcar. A casca da laranja também é rica em fibras e antioxidantes,
podendo ser usada em chás ou receitas após uma boa lavagem. Pode
consumir uma a duas laranjas por dia para obter os seus benefícios
nutricionais. No entanto, o consumo deve ser equilibrado e variar com outras
frutas para garantir uma dieta completa e evitar o excesso de açúcar.
A laranja não cura doenças, mas ajuda
a preveni-las, controlando e aliviando os sintomas de diversas condições,
como: escorbuto (devido à vitamina C), doenças cardiovasculares (reduzindo
colesterol e pressão arterial), diabetes tipo 2 (auxiliando no controle do
açúcar no sangue), câncer (devido a compostos bioativos como o D-limoneno),
doenças inflamatórias crônicas e problemas intestinais. Seu consumo regular
fortalece o sistema imunológico e a saúde geral.
Devemos salientar
que pessoas com problemas renais podem ter restrições quanto ao consumo de
laranjas, sendo recomendado limitar a um pedaço por dia. E que, em excesso,
a vitamina C pode causar problemas digestivos como diarreia e dor abdominal.
Variedades
Cientificamente, a
laranja-doce é conhecida como Citrus sinesis e a laranja-azeda como
Citrus aurantium, ambas Dicotyledonae, Rutaceae.
A
laranja doce (Citrus sinesis) é uma fruta híbrida, conhecida pelo
seu sabor doce e popular em todo o mundo, usada não só para consumo direto e
sumos, mas também para a extração do seu óleo essencial, utilizado em
aromaterapia e cosmética. O óleo é apreciado pelas suas propriedades
calmantes, digestivas e revitalizantes, e é obtido através da prensagem a
frio da casca do fruto. Na
laranja-doce destacam-se as variedades: Pera (maturação semi-tardia), Natal
(tardia), Valencia (tardia), Bahia (semi-precoce), Baianinha (semi-precoce);
Lima, Piralima, Hamlim (semi-precoce). A laranja doce tem porte médio,
folhas tamanho médio com ápice ponteagudo, base arredondada, pecíolo pouco
alado, flores com tamanho médio, solitárias ou em racimos, com 20-25
estames, ovário com 10-13 lóculos. Sementes ovóides, levemente enrugadas e
poliembriônicas.
A laranja azeda, conhecida como
laranja-amarga ou laranja-da-terra (Citrus aurantium), é a laranja
com sabor azedo, ideal para o preparo de doces, marmeladas e aromatizantes.
Esta variedade se distingue das laranjas doces pelo seu gosto mais ácido e
amargo, sendo também valorizada por sua casca e flores na culinária e
perfumaria.
A
laranja-amarga serve para diversos fins, principalmente como auxílio na
perda de peso, devido à sua ação termogênica e supressora de apetite, e para
combater problemas digestivos como má digestão, prisão de ventre e gases,
graças às suas propriedades carminativas e digestivas. Também é utilizada
como calmante para ansiedade e insônia leves e tem propriedades
anti-inflamatórias, diuréticas e antioxidantes, além de ser benéfica para
condições como artrite e diabetes.
É empregada na produção de
marmeladas, doces e na fabricação de aromatizantes para bebidas. As flores
também são usadas na indústria de perfumes.
A laranja azeda tem porte médio a grande, folha com
lâmina estreita, ponteaguda, base arredondada, flores grandes, completas;
fruto ácido e amargo, de difícil consumo. Dos brotos, folhas e casca do
fruto retira-se uma série de óleos essenciais, aromáticos, de alto valor em
perfumaria e farmacopeia.
Descascando-as superficialmente e tirando o
bagaço, faz-se o famoso doce de laranja-da-terra.
A composição por
100 g da fruta fresca é:
Calorias (63) Glicídios (9,9 g) Proteína (0,6 g) Lipídios (0,1)
Calcio (45 mg) Fósforo (28 mg) Ferro (0,2 mg)
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Magnésio (26 mg)
Vitamina A (14 mcg) Vitamina B (40 mcg) Vitamina B2 (21 mcg)
Vitamina C (40,9 mcg) Potássio
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Utilização
da laranjeira
Folhas: Contém óleo essencial utilizado em indústria.
Flores: Procuradas para ornamentação diversa e é, também, melífica
(anti-inflamatória).
Frutos: O sumo da laranja-doce é utilizado, em
nível caseiro, para preparo de sucos, refrescos e sorvetes; na indústria o
sumo compõe sucos concentrados e refrigerantes. A casca da
laranja-da-terra é utilizada para o preparo de geléias, doces (em calda,
cristalizados), bebidas.
Receitas
Salpicão com
Laranja
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Creme de Laranja
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Bolo de Laranja
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Necessidades da Laranjeira
Clima
A faixa de temperatura para vegetação está
entre 22ºC e 33ºC (nunca acima de 36ºC e nunca abaixo de 12ºC) com média
anual em torno de 25ºC; sob altas temperaturas a laranjeira emite, ao longo
do ano, vários surtos vegetativos seguidos de fluxos florais que
possibilitam maturação de frutos em várias épocas.O ideal anual de chuvas
está em 1.200 mm, bem distribuídos ao longo do ano; deficit hídrico deve ser
corrigido com irrigação artificial. A umidade do ar deve estar em 80%. O
clima influi na qualidade e composição do fruto (teor de suco, de sólidos,
maturação, volume de frutos, outros).
Solos
Embora possa
desenvolver-se em vários tipos de solos - de arenosos a argilosos desde que
sejam profundos e permeáveis - a laranjeira prefere os solos areno-argilosos
e até argilosos porosos, profundos e bem drenados. Evitar solos rasos e
sujeitos a encharcamentos; pH na faixa 6,0 a 6,5.
Formação do
Pomar
A muda de laranjeira
Deve ser obtida de viveiristas
credenciados por órgãos oficiais. Deve ser enxerto (por borbulhia) maduro
vigoroso, enxertia a 20 cm de altura do solo, com 3 a 4 brotações (ramos) a
60cm de altura (espaçados para formação da copa) distribuídos em espiral em
torno do caule e sistema radicular abundante. As mudas de raiz nua devem ter
raízes barreadas (com barro) para transporte.
Preparo do solo
A aplicação do corretivo (calcário dolomítico) deve ser feita antes da
aração (metade da dose) e antes da primeira gradagem (segunda metade) a 60 a
90 dias antes do plantio.
Covas/adubação básica
As covas
devem ter dimensões de 60 cm x 60 cm x 60 cm e na sua abertura separar a
terra dos primeiros 15-20 cm de altura. A abertura deve ser feita 30 dias
antes do plantio. Em plantios extensos sulcos podem ser feitos com sulcador
de cana segundo as linhas de nível (terrenos acidentados). Caso não
haja recomendação de análise de solo colocar 1 kg de calcário dolomítico no
fundo da cova e cobrir com um pouco de terra logo após a abertura da cova em
seguida misturar 200 g de superfosfato simples, 15-20 litros de esterco de
curral curtido à terra separada e lançar na cova.
Plantio
No
período chuvoso típico da região ou em qualquer época, com auxílio da
irrigação, efetuar o plantio; escolher dias nublados, sem ventos e com
temperatura amena. No plantio colocar colo da muda 5 cm acima da superfície
do solo; as raízes das mudas nuas devem ficar estendidas (sem dobras) e os
espaços entre as raízes cheios com terra. Comprime-se a terra a medida que
se enche a cova, faz-se "bacia" com terra e cobre-se a bacia com palha ou
maravalha ou capim seco (sem sementes); se houver ventos fortes tutora-se a
muda.
Fontes: Embrapa/CNPMF, EPAMIG, EPABA
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Direção e Editoria
Irene Serra
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